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Não foi o vulcão que explodiu.
Explodiu a indiferença, esse magma frio que escorre dos olhos de um mundo apressado demais para cuidar.
Juliana Marins morreu, como quem ainda implorava por uma mão, uma corda, um olhar.
Morreu, mas o que mais doeu foi o silêncio dos homens, foi a ausência de vozes dizendo: “ainda estamos aqui.”
Ela não foi consumida pelo fogo da montanha, mas, sim, pela solidão incandescente de não ser salva, de não ser prioridade, de ser apenas mais um nome que se apaga entre boletins e estatísticas.
Juliana estava viva, consciente, clamando,
e não houve mãos suficientes,
não houve urgência suficiente,
não houve humanidade suficiente.
Abandonaram-na como quem vira o rosto diante de um grito surdo.
E ela caiu, não apenas no abismo físico,
mas no abismo de todos nós:
o abismo da falta de compaixão.
O mundo desaba em selfies e transmissões ao vivo, mas esquece de viver a vida real, aquela que pulsa e queima no rosto dos que esperam socorro.
Juliana virou crônica de um tempo cruel,
onde as câmeras registram tudo, menos o essencial: o socorro que não veio, a solidariedade que não se moveu, o calor humano que faltou.
Ela não morreu sozinha.
Morreu com ela a esperança de que, nos momentos mais extremos,
alguém ainda estenderia a mão.
Agora o vulcão adormece.
Mas o luto é um tremor contínuo.
Juliana ainda nos pergunta, no eco da solidão do fundo da cratera:
“Por que ninguém veio?”
E a resposta é uma vergonha que arde mais do que lava: porque estamos nos esquecendo de ser humanos.
Dylvan Castro
Mestre em Direito/Consultor Jurídico

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