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O presidente Jair Bolsonaro deixou os repórteres que trabalham na cobertura da Presidência confusos na manhã desta 4ª feira (22.jan.2020). Afirmou na saída de sua residência oficial –o Palácio da Alvorada– que voltará a dar entrevistas quando “mandarem retirar o processo” contra ele. No entanto, a própria Secom (Secretaria de Comunicação) informou em seguida, por meio de nota, que a ação mencionada não existe.

“O presidente se referiu ao relatório recente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)”, diz o texto.
De acordo com 1 levantamento divulgado pela Fenaj no último dia 15, Bolsonaro foi responsável por 121 dos 208 ataques registrados em 2019 contra jornalistas e veículos de comunicação. Ou seja, 58%. A entidade, porém, não judicializou a questão.
“Quando falo, eu agrido vocês”, disse Bolsonaro, em referência ao que já afirmaram instituições jornalísticas. “Então, como sou uma pessoa da paz, não vou dar entrevista”, acrescentou.
Os repórteres responderam para que Bolsonaro comentasse sobre a reunião esperada para esta 4ª feira com a atriz Regina Duarte, convidada por ele para assumir a secretaria de Cultura.
“Manda retirar o processo que eu volto a falar com vocês”, afirmou, sendo aplaudido por seus apoiadores que estavam no local ao lado da imprensa.
No Twitter, Bolsonaro voltou ao assunto, mas não mencionou que haja 1 processo. “Como sou acusado de agredir a imprensa com entrevistas, a solução é não dar mais entrevistas. Bom dia a todos!”
SEM PROCESSOS
A presidente da Fenaj (Federação Nacional de Jornais), Maria José Braga, confirmou ao Poder360 que a instituição não acionou Bolsonaro na Justiça até o momento, mas disse que está em “estudo” alguma medida nesse sentido:
“Se o presidente continuar fazendo ataques sistemáticos à imprensa de uma forma geral, [entrará com processo] sim. Se mudar sua postura e assumir a liturgia do cargo e conceder entrevista sem agredir jornalistas, não.”
Braga também afirmou que Bolsonaro não pode usar a denúncia feita pela entidade, que calculou o número de ataques do presidente à imprensa, para deixar de falar com os jornalistas. “Informar sobre atos do governo é dever institucional”, falou.
O Poder360 entrou em contato com a ANJ (Associação Nacional de Jornais). Ainda aguarda resposta.
Fonte: Poder360

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